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Tema 384 da TNU: o que a discussão sobre a complementação de contribuições representa para a advocacia previdenciária

Tema 384 da TNU: o que a discussão sobre a complementação de contribuições representa para a advocacia previdenciária

Por Natalie Aires

A análise do momento da complementação de contribuições pode fazer diferença não apenas no reconhecimento do direito, mas também na definição dos efeitos financeiros do benefício.

A complementação de contribuições previdenciárias recolhidas com alíquotas reduzidas é uma situação que pode aparecer com frequência na prática previdenciária, especialmente em casos envolvendo contribuintes individuais, segurados facultativos e Microempreendedores Individuais (MEIs).

A legislação prevê hipóteses de recolhimento com alíquotas reduzidas, como 11% para determinadas situações de contribuintes individuais e facultativos. A Lei nº 8.212/1991 também disciplina a possibilidade de complementação dessas contribuições para que produzam determinados efeitos previdenciários.

O problema surge quando o segurado solicita um benefício e, durante o processo, identifica-se a necessidade de complementar essas contribuições.

A partir de quando os efeitos financeiros do benefício devem ser considerados?

Essa é a controvérsia que chegou à Turma Nacional de Uniformização (TNU) e deu origem ao Tema 384.

O que está em discussão no Tema 384?

O Tema 384 foi afetado pela TNU para definir se a complementação de contribuições realizadas tempestivamente, mas com alíquota reduzida de 5% ou 11%, permite que os efeitos financeiros do benefício sejam reconhecidos desde a Data de Entrada do Requerimento (DER) ou se esses efeitos devem começar somente na data em que a complementação foi efetivamente paga.

A questão envolve o PUIL nº 5003886-26.2022.4.04.7202/SC, afetado como representativo de controvérsia em 27 de agosto de 2025, sob relatoria do juiz federal Nagibe de Melo Jorge Neto.

A discussão, portanto, não está centrada simplesmente na possibilidade de complementar.

O ponto mais relevante é qual será o impacto dessa complementação sobre o termo inicial dos efeitos financeiros do benefício.

Por que essa discussão é importante?

A resposta pode representar uma diferença significativa para o segurado.

Imagine, por exemplo, que uma pessoa tenha realizado contribuições com alíquota reduzida e, posteriormente, requerido sua aposentadoria. Durante a análise do pedido, verifica-se que algumas competências precisam ser complementadas.

Se a regularização puder produzir efeitos desde a DER, o segurado poderá ter reconhecido um período maior de efeitos financeiros.

Por outro lado, se a complementação for considerada apta a produzir efeitos somente a partir do seu pagamento ou de um novo requerimento, conforme a situação, a data de início dos valores devidos poderá ser alterada.

Não é apenas uma discussão sobre tempo de contribuição. É também uma discussão sobre dinheiro e sobre estratégia previdenciária.

O que o advogado precisa observar?

O Tema 384 reforça a importância de olhar para o processo previdenciário como uma sequência de acontecimentos, e não apenas para o resultado final apresentado pelo INSS.

Essa análise permite identificar não apenas se existe direito, mas também qual é o melhor caminho para defendê-lo.

O cálculo passa a ter ainda mais importância

É justamente nesse ponto que a análise jurídica precisa caminhar junto com o cálculo previdenciário.

Uma mudança no termo inicial pode alterar o valor dos atrasados e, consequentemente, a vantagem econômica de determinada estratégia.

 O que muda na prática para o advogado previdenciarista?

A principal lição do Tema 384 é que a complementação não deve ser analisada de forma isolada.

O profissional precisa considerar o histórico completo do caso.

Isso significa que, ao identificar contribuições de 5% ou 11%, não basta simplesmente verificar se existe possibilidade de complementação. É necessário entender quando, por que e em qual momento processual essa complementação foi realizada.

A análise do processo administrativo ganha, portanto, ainda mais relevância.

Documentos, exigências, protocolos, decisões e datas podem ser fundamentais para demonstrar como o caso se enquadra na orientação da TNU.

Conclusão

O Tema 384 coloca em evidência uma questão que pode parecer pontual, mas que possui impacto direto na prática previdenciária: a relação entre a complementação de contribuições e o momento a partir do qual o segurado poderá receber os efeitos financeiros do benefício.

Para o advogado, a principal mudança de perspectiva está em deixar de analisar a complementação apenas como uma etapa de regularização contributiva.

Ela precisa ser observada dentro de todo o contexto do requerimento administrativo.

Quando a contribuição foi paga? Quando o benefício foi requerido? Houve exigência? A complementação aconteceu durante ou depois do processo? Qual é o impacto financeiro de cada possibilidade?

Responder a essas perguntas é fundamental para transformar a jurisprudência em estratégia.

E, nesse cenário, cálculo e análise jurídica caminham juntos: compreender a tese é importante, mas mensurar seus efeitos no caso concreto é o que permite ao advogado tomar decisões mais precisas e apresentar ao cliente uma estratégia previdenciária realmente fundamentada.

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